Chimamanda cancelada: transfóbica por dizer o óbvio

Essa semana as feministas marxistas resolveram fazer chacota das radicais para apoiar os ataques dos transextremistas, e o assunto que elas escolheram foi a decepção que várias de nós sentimos em relação à Angela Davis, que é uma referência tão importante de militância e pensamento radical, mas hoje defende não binarismo de gênero e “trabalho sexual”.

De acordo com elas, é ridículo dizer que alguém do estatuto da Angela Davis teria medo de ser cancelada pelos queer, e que por isso não faria sentido dizer que as posições recentes dela sobre gênero são fruto desse medo. A gente aqui no Blogueiras não tem opinião sobre por que a Davis ou qualquer marxista entende o problema de “liberal na economia, conservador nos costumes”, mas encara sem ironia um discurso que materialista na economia, pós moderno no gênero. E dá pra argumentar que estão elas mesmas sendo conservadoras nos costumes também, ao defender acriticamente não as pessoas trans, mas o movimento trans que defende literalmente que menino veste azul, menina veste rosa.

Bandeira-Trans (1) - Agência Fotec
A progressista bandeira transgênero, que poderia ter saído do gabinete da Damares. Até tem gente no próprio movimento trans que questiona essa simbologia, mas mesmo essas pessoas não se opõem à própria noção de que se identificar com uma cor ou brincar de carrinho ou boneca na infância significa que você “nasceu no corpo errado”.

A gente reproduz aqui uma série de tweets da Maya, mulher jovem, negra e feminista radical, que relembra um episódio que muita gente que defende quem cancela escolhe esquecer. Não é ridículo achar que Angela Davis pode estar até evitando pensar sobre o assunto, não por necessariamente por medo, mas por intuir que se questionar demais estará brincando com fogo e certamente vai se queimar. Assim como a Chimamanda Ngozi Adichie.

Chimamanda cancelada

Angela Davis é uma mulher preta de grande poder e contribuição no meio acadêmico e de luta. Ela é plenamente capaz de chegar às próprias conclusões sem que ninguém resuma isso a “arregar pro queer” só porque ela não falou o que você queria ouvir. Mas não vamos esquecer que não tem muito tempo que Chimamanda, uma mulher preta nigeriana que contribui absurdamente para o debate e para a luta de mulheres, foi CANCELADA por falar que as experiências de mulheres trans não são as mesmas de mulheres biológicas.

O que quero dizer com isso é que: vocês usam muito as contribuições de mulheres negras só quando convém a vocês. Mas a partir do momento que a mulher preta não fala o que vocês querem ouvir, vocês escracham ela. Famoso uso de mulher preta como token.

Caso não tenha ficado óbvio: Chimamanda foi cancelada pela mesma comunidade (trans/queer) que tá agora usando Angela Davis como token. Ninguém se importa com a contribuição de mulheres negras, a não ser que ela tenha uma opinião 100% alinhada com a de quem julga ela. Vocês não me enganam.

Tá curiosa pra saber qual foi o crime que a Chimamanda cometeu? Assiste aqui embaixo:

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2 comentários em “Chimamanda cancelada: transfóbica por dizer o óbvio

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