Pinto feminino, o teto de algodão e a guerra cultural contra lésbicas e mulheres

A gente aqui no Blogueiras tem uma opinião muito forte sobre pessoas trans que apoiam as mulheres: destransicionem. Dito isso, algumas pessoas que “se identificam como mulher” (🙄) têm sido bem ativas na defesa dos direitos das mulheres, quebrando o mito de que essa seria uma briga entre mulheres “transfóbicas” e pessoas trans que “só querem existir”. Compartilhamos aqui o texto de uma delas, que demonstra que essa é uma briga entre entre pessoas razoáveis e misóginos que não vão parar por nada até destruir cada proteção legal e social que as mulheres conquistaram e que ainda são insuficientes para garantir que possamos viver com dignidade e sem violência. 

Miranda Yardley é homem. O transexual do sexo masculino se define dessa forma, sem problemas, e também incentiva todas as mulheres a se recusarem a usar os ‘pronomes preferidos’, ou a se referir a pessoas do sexo masculino como mulheres, dizer que são do sexo feminino ou como ‘ela/dela’. Ele é um ativista abolicionista de gênero que tem sido ativo em criticar o movimento transgênero e suas pautas anti feministas e anti lésbicas – chegando a ser processado por crime de ódio transfóbico por apoiar as mulheres em sua luta para garantir os direitos baseados em sexo.

Escolhemos traduzir o texto dele para mostrar que essa não é apenas a opinião de feministas radicais ou pessoas “cisgêneras”, mas de qualquer pessoa razoável e que não tolere a misoginia do movimento trans. O assunto, cotton-ceiling, esteve em alta de novo no Brasil recentemente em meio à polêmica com a Revista Lesbi e a QG Feminista, com influenciadoras importantes do campo da esquerda marxista prestando um enorme desserviço às lésbicas dando visibilidade a esse tema sem a responsabilidade de ir pesquisar como de fato isso surgiu. Ativistas trans hoje chegam a mentir que foram as lésbicas que inventaram essa a história, sendo que foi um pornógrafo transgênero o responsável por esse ataque lesbofóbico. Leia, compartilhem, e dê visibilidade à história real desse conceito horroroso e tão ligado à cultura do estupro e do estupro corretivo de lésbicas.

Pinto feminino, o teto de algodão e a guerra cultural contra lésbicas e mulheres

Na foto: Cathy

por Miranda Yardley, tradução de Isabela Moura

Deveria existir um lugar onde as ideias ruins vão para morrer, e a primeira ideia que deveria ser transportada em uma jornada apenas de ida, na primeira classe, para a profundeza abissal deveria ser o que é coloquialmente conhecido como “Teto de Algodão”. O Teto de Algodão, termo cunhado por um pornógrafo “lésbico” homem, se refere às barreiras que as mulheres trans enfrentam quando são negadas ao acesso ao sexo com lésbicas. 

Surpresa? Continue lendo. 

Você está prestes a se assombrar com a apropriação das vidas, medos e cultura das mulheres pela forma de homofobia que está mais na moda hoje. Isso é, em si mesmo, um ataque à autonomia sexual e física de todas as mulheres e especialmente as lésbicas, e não é apenas endossado pelas organizações que deveriam defender os direitos das lésbicas e de homens gays, mas é efetivamente tão celebrado que o propósito dessas organizações não é mais o interesse de lésbicas e homens gays. O propósito agora é a conta bancária. 

O fato de que a pessoa escrevendo esse artigo é transexual demonstra o quanto o debate transgênero bagunçou completamente as políticas e organizações LGB&T. Eu sou, porém, particularmente bem colocado para escrever esse artigo, já que sou um homem que “vive como uma mulher”, o que quer que isso possa significar, e posso ver exatamente como a maioria dos ativistas pelos direitos trans pensam. E como qualquer um que já tenha participado de mídias sociais sabe, qualquer crítica da ideologia transgênero, que todos nós temos o direito de aceitar, criticar e rejeitar, qualquer desvio do mantra da lavagem cerebral “mulheres trans são mulheres” é recebido com denúncias a nossos empregadores, ameaças de violência física, estupro e morte. 

Essa é uma forma perversa e tóxica de ativismo de direitos sexuais masculinos, que conseguiu mudar a forma como se apresenta e se reformular enquanto um movimento de direitos civis. 

O enquadramento de qualquer discussão ou debate é demasiadamente importante, e a linguagem política é comumente utilizada para reformular ameaças como inofensivas, ou para vender ideias que jamais sequer consideraríamos em condições normais. Às vezes, no entanto, a única maneira de ir no fundo e realmente entender algo é se afastar de qualquer presunção subjetiva pós-estruturalista e abandonar os eufemismos da linguagem política que fomos ensinados tão cuidadosamente, retornando à boa, velha e tradicional descrição factual e precisa: por isso todos os pronomes e referências ao sexo, na minha escrita, serão referentes a vida real e sexo biológico, e homens do sexo masculino serão referidos como tal, mesmo quando eles fazem cosplay 24h por dia de uma ideia masculina do que é ser mulher. 

Nós não podemos falar de maneira sensata sobre sexualidade e orientação sexual a não ser que sejamos capazes de identificar o sexo corretamente, e ser consistente com o sexo vai me permitir também distanciar da reformulação transgenerista da  natureza intrinsecamente excludente da orientação sexual como atos de intolerância e ódio, porque não é: nós temos direito de definir nossos limites pessoais, íntimos e sexuais, e negar relações sexuais e românticas sem ter que se justificar.

A ideia homofóbica e anti-lésbica que se instaurou no coração da ideologia transgênero tem um nome, é claro: o Teto de Algodão [The Cotton Ceiling, no original]. O teto de algodão é definido, pela Wikipédia [em artigo agora deletado, seguindo a conhecida tática de transativistas de evitarem definir conceitos para impossibilitar críticas], como “…a dificuldade que pessoas trans experienciam quando buscam relações lésbicas e gays, e em espaços sociais lésbicos e gays, de maneira mais geral”. Isso tem que ser cuidadosamente desconstruído, em especial a base da exclusão enxergada é extremamente importante: tentativas de reformular exclusão como “ódio transfóbico”, baseadas na acusação de que essa exclusão se daria por “por eles eles trans”, é o argumento mais comum; porém, a motivação verdadeira é revelada com veemência por Julia Serano, escrevendo em 2014 no “Daily Beast”, “A luta para encontrar amor trans em São Francisco”, que é uma obra acessível que tornou impossível falar sobre orientação sexual em termos de sexo biológico sem ser taxada de intolerante ou algo ainda pior: o subtítulo do artigo é “para uma mulher trans, conseguir um encontro na comunidade lésbica de São Francisco acabou sendo muito difícil do que ela esperava”, o que, ao redefinir Serano como mulher, imediatamente demoniza aquelas lésbicas malvadonas e o tornam uma vítima inocente de discriminação negativa injusta. O que Serano faz, é transformar sua dificuldade em encontrar uma mulher homossexual disposta a transar com ele em algo sintomático ou sistemático, uma opressão estrutural. Aqui, ele, o homem biológico, ou seja, do sexo masculino, em busca de uma mulher biológica, homossexual do sexo feminino, para ser sua parceira sexual, é bizarramente transformado na vítima. 

“Se houvesse apenas uma pequena porcentagem de sapatões cis que não se interessassem em nada por mulheres trans, eu escreveria enquanto uma simples questão de preferência pessoal. Mas isso não é um problema pontual – é sistêmico; é um sentimento predominante nas comunidades de mulheres queer. E quando a maioria avassaladora de sapatões cis se relacionam e fodem mulheres cis, mas não estão abertas a, ou mesmo perdem o tesão com ideia de se relacionar ou foder uma mulher trans, como isso não é transfóbico? E para aquelas mulheres cis que reivindicam a identidade sapatão, mas ainda consideram homens trans, mas não mulheres trans, como potenciais parceiros, deixem-me eu perguntar o seguinte: como você não é hipócrita?”

Obviamente, isso só funciona se percebemos Serano enquanto uma mulher desfavorecida, e não como um homem cuja ideia de ‘mulher” claramente não é nada além de um objeto sexual, como Serano explica no trecho autobiográfico de “Whipping Girl”:

“Quando atingi a puberdade, minha recém descoberta atração por mulheres derramou sobre meus sonhos de me tornar uma garota. Para mim, sexualidade se tornou uma combinação estranha de ciúmes, autodepreciação e luxúria. Porque quando você isola um adolescente trans e impressionável e a bombardeia de anúncios publicitários com mulheres de biquíni e conversas típicas de vestiário de meninos sobre os peitos de tal garota e a bunda de tal garota, então ela vai aprender a transformar sua identidade de gênero em um fetiche… meu cérebro de treze anos começou a criar cenários que poderiam vir de manuais de sadomasoquismo. A maioria das minhas fantasias começavam com um sequestro: eu me tornava uma massinha nas mãos de algum homem desequilibrado que iria me transformar em uma mulher como parte de seu plano maligno. Isso é chamado de feminização forçada, e não é sobre sexo na verdade. É sobre transformar a humilhação que você sente em prazer, transformar a perda dos seus privilégios de homem na melhor foda da vida”. 

Dentro do mundo dos transgêneros, o elefante a sala é a influência do sexo: para as pessoas de fora, isso é claro como a luz do dia, e um mergulho no Twitter-trans, ou boards trans no 4Chan (4Tran….?) mostra a obsessão com animes e a conceitualização influenciadas pela pornografia de ‘mulher’ e, claro, de ‘lésbica’. A fantasia masculina de ser o espectador de duas (ou mais) mulheres fazendo sexo é evoluída inserindo nessa cena o homem que está sexuamente excitado, e que através unicamente da identidade se tornou ‘lésbica’, e é esse o fantástico cenário a que as “mulheres trans” aspiram: aceitação enquanto mulheres no nível mais fundamental, por uma mulher que é sexualmente orientada apenas para mulheres. Essa é a conquista que eles buscam destravar, o nível final do chefão. 

Não deveria ser surpreendente para ninguém que “teto de algodão” tenha sido cunhado por um ator pornô transgênero, Drew DeVeaux, em 2012, em alusão à estrutura sistêmica de poder que tem sido utilizada para manter as mulheres em seu lugar, o “teto de vidro”. Também não deveria surpreender, já que a indústria pornográfica é feita por e para homens, que outros atores pornôs tenham repreendido colegas lésbicas por não desejarem ‘atuar’ com um indivíduo do sexo masculino com um sistema reprodutor masculino funcional. Ao escrever “Why I Went to War”, em 2014, Lily Cade narrou uma tentativa de bullyin que sofreu por parte do ator pornô Chelsea Poe:

“Chelsea Poe, uma mulher trans pré ou não operada (um ser humano com pênis e testículos), me pediu que eu a escalasse para meu pornô lésbico. Eu disse não, e ela me acusou de transfobia…. O que Chelsea me pediu para fazer era gastar meu capital, minha energia, a confiança da minha base de fãs, que eu construí ao longo de seis anos no pornô, para lutar sua causa: sua causa em provar que era atraente. Chelsea me pediu que lhe desse trabalho em meus filmes…. Chelsea demandou que, em nome da “igualdade”, eu dê um desses papéis para ela e pague alguém para a fuder, para que ela possa balançar seu pinto na cara das minhas fãs de pornô lésbico, para provar algum argumento sobre como eles deveriam parar de ser intolerantes e aceitar que ela é gostosa”.

Isso não é algo se restringe ao mundo da pornografia, e mesmo antes da altercação entre Cade e Poe, sites feministas convencionais estavam reformulando “lésbicas” para incluir homens e desmerecendo mulheres que se recusavam a aderir. O cavalo de Tróia “Autostraddle” [famoso site “lésbico” em inglês], em 2013 publicou “Getting With Girls Like Us: A Radical Guide to Dating Trans Women for Cis Women” (tradução literal: “Ficando com garotas como nós: um guia radical para mulheres cis,  para se relacionar com mulheres trans”):

“…ela se referiu a mim como “mulher trans”, ao invés de “mulher mulher”, eu achei difícil me forçar a falar achar qualquer coisa pra falar pelos últimos minutos do nosso pequeno encontro desastroso…. Ok, senhoritas/damas, vamos parar aqui e acertar as coisas. Um ponto é que não é apenas uma questão de causar desgosto a uma mulher trans durante o jantar; também é uma questão de uma mulher cis fazendo um papel de babaca. E além disso, esse tipo de cissexismo ignorante apenas impede que nos tornemos próximas e de nos divertirmos juntas… se a genitália é a única razão para não estar afim de alguém, eu não acho que valha a pena pensar por essa ótica.”

E justamente quando você pensa que não pode piorar, realmente piora:

“Eu escrevi anteriormente sobre a alienação que eu experienciei enquanto mulher trans se relacionando na comunidade de mulheres queer. Agora, quero enfatizar novamente que ninguém é obrigado a tocar o pênis de uma mulher se não estiver afim. Porém, também é importante enfatizar que:

  1. Nem toda mulher trans tem pinto.
  2. Não existem meios de distinguir uma mulher trans de uma mulher cis.

As implicações desses dois pontos juntos é que falas como “eu me atraio por mulheres cis, mas não por mulheres trans”, simplesmente não têm sentido e estão enraizadas em preconceito social”.

Qualquer sugestão de que isso seja direcionado a homens assim como a mulheres é insincera: o Autostraddle e o Everyday Feminism (que reproduziu o artigo) são websites direcionados para mulheres e claro que o autor do artigo é, ele mesmo, sexualmente orientado para mulheres. Portanto, o objetivo do texto é argumentar contra qualquer objeção que uma mulher possa ter sobre se relacionar com um membro do sexo oposto. Pense no que isso significa: cinco anos atrás as revistas online de mulheres estavam defendendo que as lésbicas submetam seus corpos a homens que reivindicam se identificar como mulheres. (Um excelente exemplo do “gaslighting” e da manipulação explícita utilizada pelos ativistas na atualidade é transposta no artigo da Femonade “The Cotton Ceiling? Really?” (tradução literal: “O teto de algodão? Sério?”.).

Se você tem acompanhado esse debate desde suas raízes originais, verá que aparentemente nada mudou, a não ser que essa homofobia que “não enxerga sexo biológico” tem se tornado comum, com uma lista longa do tamanho do seu braço (de homem) com delinquentes que acham que podem se valer do sentimento de culpa para mudar orientação sexual de lésbicas. E por causa da maneira que a linguagem tem sido imposta, com o Facebook e o Twitter suspendendo e até encerrando aqueles de nós que nos recusamos a nos submeter aos dogmas da ideologia transgênero, e a Automattic censurando informação em blogs hospedados no WordPress, nos encontramos em um mundo distópico onde somos incapazes de falar sobre sexo biológico, orientação sexual ou mesmo nomear a realidade desses, em relação a um pequeno número perpetradores de assédio e violência sexual (e outras formas de violência) contra mulheres e meninas. Apenas pense o que significará para todos nós, caso as fontes de notícias e informação e os canais de discussões tornem impossível que tenhamos conversar reais sobre essas coisas. Onde isso irá parar?

Por mais ridiculamente cômico que possa ser Zinnia Jones falando sobre seu “pinto feminino”, ou Riley Dennins sugerindo que é cissexismo sentir atração apenas por pessoas com um tipo de genital ou que suas preferências de relacionamento são um ato de ódio, ou Roz Kaveney alegando que “pintos de mulheres trans não são pintos masculinos”, não se engane com a homofobia profundamente enraizada que está no coração do que esses homens estão tentando fazer, que é tornar inaceitável que mulheres sejam capazes de definir seus próprios limites íntimos e sexuais. Não existe, obviamente, nada de novo em homens heterossexuais tentando fazer isso, a diferença é que agora está sendo feito sob a bandeira do progressismo social e dos direitos civis.

Frequentemente os envolvidos vão alegar que existe um fator geracional a ser considerado, que “as pessoas mais jovens entendem o que transgênero significa”, e que o resto de nós somos apenas dinossauros antiquados, com nossos limites pessoais e orientações sexuais. Isso é, porém, uma cortina de fumaça para esconder o fato de que organizações têm, por anos, se infiltrado em nossas escolas, organizações da juventude e na cultura, para atacar diretamente medidas de segurança para jovens que são baseadas no sexo e inculcar que nosso sexo é algo que existe em nossa cabeça, ao invés de uma realidade física.

Se você olhar para nossos grupos de apoio de lésbicas e gays, você poderia pensar que nenhum desses problemas existe. Aqui no Reino Unido, temos na Stonewall de Ruth Hunt e na Diva Magazine de Linda Riley duas mulheres que estão dispostas a comprometer a integridade do que significa ser uma fêmea humana homossexual, uma lésbica, e essas mulheres que são lésbicas elas mesmas têm inserido em sua área de influência a classe de pessoas que o lesbianismo exclui, machos, e distorceram o objetivo de suas organizações para quase colocar no centro os interesses amorosos do homem heterossexual. No documento de Stonewall “The Truth About Trans” (tradução literal: “A verdade sobre Trans”), as perguntas e respostas a seguir demonstram o quão longe Hunt e Stonewall estão dispostas a ir para eliminar a realidade material do que é ser uma fêmea homossexual: 

“Então, poderia uma lésbica ter uma mulher trans enquanto parceira lésbica, ou um homem gay estar com um homem trans?

É claro. Se eles se desejarem. Primeiro, e mais importante, temos que reconhecer que mulheres trans são mulheres, e homens trans são homens. Depois disso se torna uma questão de por quem você está atraído. Adultos são livres para manterem relações consentidas com outros adultos, independentemente da sua orientação sexual ou identidade de gênero”. 

Linda Riley, da Diva, não está disposta a entrar em qualquer discussão com fêmeas homossexuais reais sobre se homens podem se chamar de lésbicas, preferindo reforçar sua posição ao reformular o mero questionamento de sua vontade em validar homens heterossexuais como lésbicas como incitamento ao ódio: 

“Eu me recuso a mudar minha visão sobre a inclusão trans na @DIVAmagazine, e fui muito clara sobre isso quando te conheci. Para soletrar claramente, a revista DIVA não publica ou divulga nenhuma visão que entendemos incitar ódio contra a Comunidade Trans”. 

Essa negligência grotesca de Hunt e Riley sobre seus eleitores-chave, claro, é sobre dinheiro: o complexo industrial da diversidade e inclusão oferece recompensas ricas para as organizações que estejam dispostas a promover a mensagem de que as pessoas deveriam parar de pensar por si mesmas e abandonar todo o controle sobre seus limites pessoais. 

A realidade então é que as mesmas organizações que deveriam estar desafiando a dizimação da cultura lésbica e gay, que sob o rótulo “queer” teve sua força política diluída a uma significância homeopática, tem, ao contrário, se transformado em “cheerleaders” para os pobres, tristes, e sexualmente oprimidos homens heterossexuais, e não estão dispostas a desafiar práticas culturais danosas que afetam nossas populaçãos lésbica e gay mais jovens, e isso é visto como “progressista”.

Apenas no Reino Unido, entre 2017/2018, 1.806 garotas foram direcionadas ao “Tavistock and Portman Gender Identity Service” (Serviço de identidade de gênero Tavistock e Portman, em tradução livre) em busca de hormônios e outras intervenções para transformá-las em “homens”. Nós não existimos em um vácuo e, ainda assim, as tentativas de investigar as causas desse fenômeno têm sido atacadas por ativistas, criando um ambiente insustentável para aqueles cientistas que desejariam investigar o fenômeno. O artigo de Lisa Littman, “Rapid-onset gender dysphoria in adolescents and young adults: A study of parental reports” (Disforia de gênero de início rápido em adolescentes e jovens adultos: um estudo de relatos dos pais, em tradução livre), investigou e observou mudança no padrão e na constituição de crianças que apresentavam disforia de gênero, e 82,8% (212) das 256 crianças no estudo, eram meninas. Claro, os que reclamaram desse estudo eram homens, as meninas que eram afetadas por isso não têm nenhuma importância para esses ativistas. 

A YouTuber lésbica Arielle Scarcella passou nove anos produzindo vídeos em seu canal e sempre incluiu a vida e a perspectiva das mulheres trans em seu trabalho. A comunidade transgênero deveria ser grata ao apoio honesto e aliança, afinal, ela não deve nada a comunidade trans. Mas, ao contrário, ela foi alvo de ataque e abuso por todos os lados da comunidade trans. 

Arielle tem falado sobre a inclusão de “mulheres trans” em suas comunidades, e vê o dano à sua comunidade que essa nova forma de coerção sexual culturalmente legitimada está causando. Em ‘Dear Trans Women, Stop Pushing ‘Girl Dick’ On Lesbians’ (Queridas mulheres trans, parem de empurrar ‘pinto feminino’ para lésbicas, em tradução livre), ela observa:

“jovens lésbicas estão ouvindo que sua orientação sexual é intolerante – é hora dos ativistas trans pararem de empurrar “pinto feminino” pra elas. “Preferência” genital é uma má utilização de palavras.

Isso é a antítese de liberdade; isso é uma nova forma de fascismo por coerção econômica, que foi inteligentemente disfarçada como um movimento por direitos civis.”

As vítimas dessa nova religião são, claro, mulheres: a cultura lésbica tem sido dizimada na medida em que bares lésbicos passaram a se rotular de “queer” para serem mais ‘inclusivas’, o que nesse contexto significa “menos passível de serem atacadas por ativistas trans alegando discriminação”. Grupos, organizações e até festivais exclusivamente de mulheres, são forçados, por ameaças diretas ao financiamento, a aceitarem “auto identificação” como passaporte para esses espaços, ao invés de uma coleção de características físicas compartilhadas e uma vida de experiência de viver com as consequências íntimas e pessoais resultantes.

Isso é uma antítese da liberdade: é uma nova forma de fascismo através da coerção econômica, que tem sido inteligentemente disfarçada como um movimento por direitos civis. Se o movimento por direitos transgênero pode ser descrito como uma revolução, é chegado o tempo da contra-revolução: tragam o blacklash (a reação violenta)

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3 comentários em “Pinto feminino, o teto de algodão e a guerra cultural contra lésbicas e mulheres

    1. Também seria homofobia mas isso é muito mais raro justamente porque homens trans foram socializados como mulheres e mulheres não são incentivadas pela sociedade a desrespeitarem os corpos e a sexualidade de homens

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